Terça-feira, Junho 30, 2009

LacrimoGênio

Enerva a pele rude
sutil e vulgar
deleite horrendo
deságua aos olhos alheios
Enerva a retina
a sina ocular
LacrimoGênio
Enerva a mente sã
mantras e vernáculos
Os cães passeariam
menos bruscos
aos olhares atentos...
Mas silentes e sedentos
trucidariam as expectativas
Meros e parcos poemas
arriscariam tal caminho suicida
Ao poeta se torna
mais excitante
E um tanto burocrático,
por ofício.

Terça-feira, Fevereiro 17, 2009

COMPAREÇA!

faremos um espetáculo beneficente
em praça pública
sem entradas ou saídas
sem artistas
barulhento e silencioso
sinta-se convidado!

infuturível

um dia então,
que possa ser vivido
vívido, atroz
um dia,
infuturível
[incon]fundível
um dia pra passar
o dia depois do dia
que possa ser morrido
infuturível
um dia cego de doer
às pressas
como o último
[i]mensurável
o dia, apenas um
consternado, depravado
infuturível!

Segunda-feira, Janeiro 26, 2009

poética

ah, meu nem tão velho amigo assim...
o carma é a lúgubre juventude que se espelha pelos teus olhos
e se esvai a cada ato dessa homérica...
a dor que se ri e nos chora poética
ventura vida de viventes soltos por aí
serve aos momentos ébrios como aquela antiga e chorosa canção
vãs nossas tentativas entredentes
agarrar seja o fio menor de exatidão
te corta e arranha a pele
é de viver tanto que as cicatrizes contam histórias
ainda abertas, mesmo sanadas, mesmo encobertas
soberbas... imponderáveis...

ah, meu velho amigo...
somos viventes e só!

Domingo, Janeiro 25, 2009

sem perguntas, sem respostas

amarelo imenso
com pitadas de azul
e eu quase que me perco
não fosse o intenso lusco-fusco

aquelas luzes me absorveram
eu vi meu ego e gostei
e o que fazes aí sozinho?
pinte-se por si mesmo

vamos ter com aquela velha excitação
as falas e salas de antes e sempre
algumas dessas bolas amarelas se perdem no caminho

é um bom dia, realmente!

Quinta-feira, Novembro 13, 2008

Prenda-se!
pelo resto que lhe sobra
e a falta que poderá lhe fatigar...
pelo muito pouco senso que lhe habita
e o raro lúcido sentido que te achas...

o que sobra do resto fatigado
e lúcido e raro
da pouca falta que habita
na ausência que te achas
é senão a réstia
do ser que és e pretende
que sejamos nós...

Prenda-se!
pelo sepulcro véu de retidão
que te esconde...
Prenda-se
pela míngua
soberba
que te encerras...

varal de risos soltos

Terça-feira, Agosto 26, 2008

A energia posta à prova
A própria euforia
Cala e mede a pele, virgem
Carne quente ou fria
Vaga de vagabunda
A vida um tanto vadia
Que via a velha vazia
Vagava ventos de solidão
E a própria tal luz do dia
Criava a poesia e nem mesmo se via
Volúpia, voz e canção

Quarta-feira, Julho 16, 2008

estranhos na noite
me sofrejam hálitos embriagados
de uma libertinagem reprimida
e de absurdos metálicos
sólidos como o duro amanhecer
e imploram por uma réstia de lua
que seja uma chuva matinal
ou uma pane nos sinos catedráticos
um desmaio do dia
uma soberba tamanha
um eclipse social...

estranhos na noite
dançam tristemente sua alegria
embebecidos de prazer e dor
e esperam noite a dentro
os acontecimentos da vida!